Estou para aqui sentadinha no sofá a bisbilhotar na internet ao som desta música. Adoro-a. Adoro a letra, adoro o raio da sensualidade que está por trás dela, adoro saber que andam rapazes assim ainda à solta. Simplesmente adoro-a, é perfeita.
I'm bringing sexy back Them other boys don't know how to act
I'm bringing sexy back Them other boys watch while I attack
A verdade é que os artistas sentem mais amplificada e intensamente do que o resto. Preferem trocar o abstrato pelo real. Observam com maior detalhe. Apreciam a beleza de todas as coisas. Choram através das suas obras. São livres. Importa aquilo que não se consegue explicar. São individualistas e os maiores mentirosos, os mais ingénuos, os maiores manipuladores, distorcedores da verdade.
Este é o primeiro Natal que vou passar sem o meu pai. A minha família tem vindo a afastar-se e a tornar-se cada vez mais pequena. Traições, mentiras, omissões, falta de companheirismo, amizade e compreensão, egocentrismo, ganância, luxúria, inveja, vaidade são todos factores que influenciaram este terrível facto e que não devem de todo estar presentes nesta época. Devemos dedicar o nosso tempo à família, procurar sermos boas pessoas e tentar corrigir os erros cometidos. Pelo menos é o que tento fazer. Feliz Natal.
As crianças podem ser as mais fáceis de manipular como também podem ser as mais difíceis. É tão fácil dar um doce ou comprar um brinquedo em troca de. É mesmo fácil brincar ao que eles querem para depois sermos compensados da forma que queremos. Torna-se mais difícil quando a criança é insaciável, quando se recusa a olhar para nós partindo do princípio que somos algum tipo de bruxas que só servem para lhes infernizar a vida. É preciso que aquilo que eles tomam como certo seja posto em causa. Muitas vezes vou encontrar crianças que não vão querer jogar o jogo que eu quero, que se recusam a abrir a boca ou que vão ter comportamentos selvagens dentro do consultório. Aposto que vão haver crianças que vão levantar a mão para me bater. Vão haver crianças que me vão gritar contra a cara "eu odeio-te". Em primeiro lugar essas crianças têm como certeza que nós não podemos ajudar, não somos confiáveis nem amigáveis. Em segundo lugar têm a ideia de que estão ao mesmo nível nós, terapeutas. Não estão. Quem manda naquela pequena sala, somos nós. Tenho de fazer com que essa certeza passe a ser posta em dúvida de modo a criar uma ligação, uma relação que possa tornar o meu trabalho mais fácil. Têm de passar a agir da maneira que eu quero.Na minha terra isso chama-se manipulação. Parece horrível e quase como que ilegal mas toda a agente o faz começando pelos pais. Por vezes é um mal necessário.
A dedicar aos miúdos Ben dos Jackson 5. (acho que todos gostam desta música)
1. Detesto cobras ressabiadas de metro e meio que se atrevem a me ameaçar. 2. Estou uns passos mais à frente. 3.Consigo matar alguém só com um dedo. 4. Wanna play a game?
Penso que no geral uma das melhores coisas que um ser humano pode observar é uma criança a brincar. Desde a nascença até aos 5 nos de idade que as crianças aprendem a falar na perfeição, no entanto não é essa via de comunicação que eles preferem utilizar. Normalmente uma folha de papel branca e meia dúzia de lápis de cera bastam para a criança rapidamente começar a rabiscar um conjunto de traços com determinadas cores que vão dar origem ao seu desenho. É especialmente habitual que a criança faça desenhos de si própria, da família, de casa, de desenhos animados, da escola… Muitas vezes os desenhos transparecem a personalidade e o estado de espírito da criança. É normal que num momento de perda familiar, zangas, amuos, novas descobertas, em momentos em que se sentem sozinhos ou abandonados, entre outros, desenvolvam certos comportamentos que vão transparecer imediatamente nos desenhos que fazem. Eu comecei a desenhar casas de pernas para o ar quando perdi alguém da família pela primeira vez. Simbolozava a perda de alguém próximo que pelos vistos me ia fazer falta. Até é normal que venham a ter amigos imaginários. O que não é normal e ver que se recorre muitas das vezes, por incrível que pareça, ao espiritismo para explicar esses acontecimentos. É impossível uma criança ver espíritos. E afinal o que é um espírito e já agora é feito de quê? É algo que não podemos ver? É algum tipo de força inteligente que caminha entre os vivos? Para eu poder falar de um livro tenho de o ler. Ora se não me sabem dizer o que é um espírito como é que podem falar dele?
Nós, enquanto seres humanos, somos produto das nossas experiências e pela estrutura anatómica e funcional altamente complexa do nosso cérebro. O hemisfério esquerdo do nosso cérebro controla a razão, o conhecimento, as ideias enquanto que o lado direito controla as emoções. Eles actuam entre si de forma específica, sendo anatómica e funcionalmente diferentes de ser humano para ser humana. A nossa personalidade advém só e apenas do tipo de funcionalidade da massa cinzenta. Até mesmo o amor ou a amizade são programados e provocados pelo nosso cérebro, não é porque nós decidimos. Isto é tudo feito de átomos. Nada disto é sobrenatural ou espiritual, é tudo ciência. Não percebo como é que os cientistas dizem que não se pode provar que Deus é real, quando existem estas descobertas fantásticas. Para mim está mais que provado.
Não interessa que me mate estudar. Não me sinto nada realizada. Não interessa que me esforce para passar melhor os dias. O tempo passa e só olho para trás para ver o tempo que perdi. Não interessa que todos me queiram bem. Não vão mudar nada. Não interessa o dinheiro que me vão dar pelo defeito que me puseram. Não há dinheiro que pague o facto de ter de ficar sozinha a maior parte do tempo. Eu não pedi isto. Não interessa as vezes que me pedes desculpa. Nunca vou perdoar, faças o que fizeres. Nem hoje, nem num milhão de anos. Tem cuidado porque te vou assombrar até ao fim dos teus dias.
Tenho imensas queixas a fazer. Imensas coisas que gostava de gritar contra a cara da primeira pessoa que apanhasse na rua. Há um mês e 14 dias que não ando a mais de um raio de meio quilómetro de casa, há um mês e 14 dias não faço planos para ir jantar fora ou ir sair com os amigos, há um mês e 14 dias que há meia noite todas as quintas e sextas já estou na cama quase em vias de adormecer enquanto o resto da população se diverte no terreiro, há um mês e 14 dias que só vejo gente diferente quando vou à escola ou muito raramente quando vou ao shopping, há um mês e 14 dias que a minha vida estagnou, há um mês e 14 dias que ando a contar o tempo para ele passar mais depressa. Pensam que devia estar mais contente por já ter passado metade do tempo que vou ter de andar engessada? Isso está completamente errado. Há medida que o tempo vai passando, fico mais frustrada e cheia de raiva até à ponta dos cabelos e não sei como vou passar mais mês e meio desta maneira. E além disso não me cheira a Natal. Só vejo pessoas preocupadas e com expressões tristes estampadas na cara por não poderem ter um Natal melhor. Está tudo mal. Não quero continuar assim.
As nuvens estão a tapar o céu há tanto tempo. Já nem sei de que cor é quando está descoberto nem sei quanto tempo irá assim ficar. A chuva continua a cair e a cair. É a minha melodia, o meu som constante, a minha companheira alternativa. Ando a vaguear ao som do bater da chuva na janela sem um objectivo, sem razão nenhuma para tal. Sei que o me falta para seguir em frente com um sorriso na cara. Toda a gente precisa de inspiração. A minha, és tu.
Wow, vocês tenham calma consigo. Já percebi como é que as coisas funcionam - vocês vêm ao meu blog, lêem-no de cima abaixo, se for preciso até duas ou três vezes para ver se compreenderam bem o que está escrito e começam a tentar descobrir para quem são os textos e a pensar que talvez se dirigem vocês. Já compreendi, não conseguem parar, mas às vezes torna-se num exagero. Se eu falo de um rapaz ao longo das minhas postagens, é dirigido ao meu primeiro namorado. Não é ao Jacinto, nem ao Guaribaldo das Couves nem ao Xavier das calças rotas. O resto dos textos não são propriamente dirigidos a ninguém em especial. São textos que foram feitos para quem lhe servir a carapuça. Não se preocupem em desvendar quem é a pessoa que está por trás de cada texto. Quando for sobre alguém, vão saber. E agora com licença que eu tenho de ir estudar para anatomia.
PS: o texto serve para quem faz o que está descrito acima...
Uma vez li um livro da Joddi Picoult chamado “Compaixão”. São duas histórias, duas relações, dois amores diferentes que lá estão retratados .
A primeira relação basei-se no respeito, na amizade, no orgulho, na integridade, no afecto, num sonho que qualquer pessoa pretende realizar. A realidade é que por mais perfeita que fosse esta relação, um contribuía mais do que o outro, dava mais de si. Há sempre um que ama mais do que o outro.
A segunda relação é uma relação cómoda, baseada na segurança e estabilidade e rotina, com planos sempre traçados, nunca havendo grandes discussões, nunca havendo nada de mal a apontar. No meio surgiu uma rapariga de cabelos negros e encaracolados, com um ar selvagem, trabalhadora, aventureira, totalmente livre de preocupações e pressões, culta, sonhadora, que acordava sem saber o que ia fazer durante o dia ou que pessoas ia conhecer, protótipo daquilo que o chefe da polícia sempre tinha sonhado ser. Amava uma porque lhe dava estabilidade, era amável, organizada, bonita, frágil, preenchia os requisitos do que uma mulher, dona de casa e mãe de filhos deve ter. Por outro lado amava a segunda porque era símbolo da liberdade que sempre tinha querido ter, das viagens que queria fazer, das montanhas que queria explorar, de uma lufada de ar fresco que sonhava experimentar. Uma pessoa que ama outras duas depara-se sempre com o dia em que tem de escolher uma. É feito mentalmente uma lista de virtudes, defeitos, consequências, o que dá mais jeito e o que é descartável. Neste caso, se deixasse a mulher para ficar com a amante, a amante iria passar para o papel de esposa e deixaria de ter aquelas qualidades que tanto gostava nela. Foi esperto o suficiente para se redimir e pedir o perdão que não merecia.
P.S: Meu amor, foste o primeiro e tiveste tudo o que podia dar de mim e consigo perceber que tenhas amado as duas por inteiro e de formas diferentes. Não percebo é porque é que tiveste de escolher segunda.
Nada é melhor calmante do que ouvir a nossa música preferida depois de um dia cansativo e chuvoso. Ouço agora com atenção, sinto a energia, desligo-me do que está lá fora. A melhor companhia que posso ter agora sou eu mesma e a minha canção.
Ontem foi o meu primeiro dia de aulas desde o acidente. Aconteceu finalmente uma das coisas que me metem mais medo – ficar dependente dos outros. Podia ter partido um dedo, um braço mas nunca uma perna. Tirarem-me o privilégio de andar como as pessoas normais é provavelmente das coisas mais difíceis que vou ter ultrapassar. Odeio sentir-me minúscula sobre os olhares de toda a gente. Sentia-me bastante integrada e tinha feito bastantes progressos neste escasso mês que estive em Leiria. Tudo o que consegui até agora vai tudo pelo cano abaixo. Apesar da boa vontade das pessoas, não as estou a conseguir acompanhar, não consigo ir buscar um simples café, nem pegar no meu próprio tabuleiro, nem descer meia dúzia de escadas. Simplesmente não consigo. Vou acabar por ser posta de parte um dia destes. É triste mas é a realidade. Não estou preparada para começar tudo de novo.
Não consigo entender porque é que não sinto nada. Já não sinto nada de nada há muito tempo, o que não é normal. Porque é que agora em vez de me magoarem a mim, sou eu a causadora de desgostos e desilusões? Nenhuma das situações é saudável para mim. Sinto que sou uma segunda espada Excalibur que está presa numa rocha até alguém me vir retirar.
Existem pessoas tão estupidamente mesquinhas que se limitam a ser fantasiosamente expressivas em demasia, propositadamente para chamar a atenção, para não se deixarem passar despercebidas. São tantos os risinhos irónicos e tantas bocas maldosas que andam à minha volta que até me enjoa. Já ouvi falar mal de pessoas que nem sequer eles próprios conhecem, já ouvi fazerem comparações estúpidas sem sentido nenhum, já vi pessoas a dizerem uma coisa ao pé de alguém e depois mudar de atitude mal viram as costas. Será que a vida deles não passa de um mero teatro?
Atenção que só fica chateado a quem lhe servir o chapéu...
No outro dia fui sair com as minhas colegas. Foi uma espécie de "girls night", sem rapazes à mistura o que foi um alívio. Por volta das 5 da manhã lembraram-se de passar Nirvana, System of a Down eee ARCTIC MONKEEYYYS! Percebi logo qual era a intenção - fazer com que as pessoas se fossem embora mais depressa. Não percebem que eu queria ficar?! Já não ouvia boa música há tanto tempo!
Parece que só tenho algo com significado para escrever quando tudo está mal. Pode ser uma necessidade de descartar o que sinto. Pode ser uma maneira de ponderar e arranjar soluções. Pode ser uma forma de me fazer perceber sem ter de gritar do fundo meus pulmões até que alguém veja que não sou invisível. Eu estou aqui. E tenho muito para dar.
Ontem fui a Fátima. Não costumo frequentar locais religiosos mas por uma questão de respeito, decidi acompanhar uns amigos. Muito resumidamente, assisti uma missa em que o tema do sermão era a "hipocrisia". E então o senhor padre dizia assim: "o pobre é o verdadeiro rosto do Senhor".E eu dizendo pra os meus botões: "Oh meu grande tolo, falas-me de hipocrisia e dizes que o pobre é o rosto do Senhor quando atrás de ti está umaplaca gigante decorada com folhas de ouro? Isso dava para alimentar muitas famílias carenciadas, sabes?"
Cada vez que uma pessoa pensa que não a podem surpreender mais...